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Encontros Virtuais com Quem Já Partiu: O Aplicativo de IA que Cria ‘HoloAvatars’ de Falecidos e Acende um Debate Global

Uma nova e controversa tecnologia está forçando a sociedade a confrontar os limites do luto e da realidade. O aplicativo 2Wai, lançado nos EUA, utiliza inteligência artificial para criar HoloAvatars — “gêmeos digitais” de pessoas falecidas, permitindo interações em tempo real.

O vídeo da startup viralizou globalmente, mostrando uma mulher grávida conversando com o avatar de sua mãe falecida, acendendo um debate ético e psicológico: será que a IA está nos ajudando a lidar com a perda ou apenas atrasando o processo de luto?


A Tecnologia: Como Funciona o 2Wai?

O 2Wai é um exemplo notável de Grief Tech (Tecnologia do Luto). Ele se baseia em uma premissa simples, mas poderosa:

  • Input Inicial: O avatar só pode ser criado se houver um vídeo pré-gravado da pessoa em vida, falando e se movimentando.
  • Criação do HoloAvatar: A IA usa esse material como base para expandir o repertório do “gêmeo digital”. O resultado é um avatar que consegue falar como a pessoa real, com a voz e expressões dela, e até mesmo “lembrar” de informações passadas com o usuário.
  • Aplicações: Embora tenha ganhado notoriedade com a tecnologia do luto, a 2Wai também propõe usos para “personagens” em vida, como personal trainers, escritores ou agentes de viagem virtuais.

🚨 O Alerta dos Especialistas: A Ilusão da Realidade

O principal ponto de controvérsia reside nos riscos psicológicos do uso dessa tecnologia, especialmente para quem está de luto.

A psicóloga e psicanalista Mariana Malvezzi, especialista ouvida pelo G1, alerta que, embora a tecnologia ofereça companhia, ela pode gerar uma perigosa ilusão de realidade.

💬 “A mesma tecnologia que oferece companhia pode gerar confusão entre o real e o simulado, criar dependência afetiva e, em alguns casos, amplificar a angústia. Essa ilusão pode minar a autonomia emocional, afastar o enlutado dos rituais do luto e dificultar o movimento de simbolização.”

Em outras palavras, ao manter uma versão digital e interativa da pessoa, o enlutado pode ter dificuldade em aceitar e ressignificar a perda, que é um processo essencialmente humano.


A Expansão da Grief Tech

O 2Wai não está sozinho. A replicação digital de falecidos já está se tornando uma tendência:

  • Justiça: Nos EUA, uma versão de IA de uma vítima de homicídio foi usada em um julgamento, “marcando presença” e dirigindo-se ao atirador.
  • Mídia: O jornalista Jim Acosta (ex-CNN) “entrevistou” um avatar criado pelos pais de Joaquin Oliver, vítima de um massacre escolar em 2018.

Uma pesquisa recente da ESPM aponta que um em cada quatro brasileiros se imagina usando a IA para conversar com familiares já falecidos, demonstrando que o apetite por essa tecnologia é real.


A tecnologia do luto oferece um consolo inédito, mas exige um debate urgente sobre a ética e a saúde mental. Até que ponto a interação simulada é benéfica e quando ela se torna uma fuga do processo natural de cura?


Qual a sua opinião? A Grief Tech ajuda ou atrapalha o processo de luto?

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